Santo Antão, também conhecido como Santo Antônio Abade, Santo Antão do Deserto, Santo Antão, o Grande ou Santo Antônio, o Grande, é considerado um dos fundadores da vida monástica, um dos “Pais do Monaquismo” e é um modelo de espiritualidade ascética. É chamado “o Grande” pela imensa influência de sua ascética, por sua extremosa caridade em atender todo o próximo e por sua fortaleza frente às tentações. Mas o nome que mais o distingue é o de Abade porque Abade significa pai, e pai terno ele o foi para todos os seus seguidores no caminho ascético. É ainda importante citar que Antão foi um caso exemplar de pregar a Palavra de Deus e esta se tornar como que dirigida expressamente a cada um dos ouvintes.
Nasceu em Fayum, perto de Heracleópolis Magna cerca do ano 251. Tinha por volta de 20 anos quando seus pais faleceram e ele herdou os bens da família. Depois da morte de seus pais ficou só com sua única irmã, muito mais jovem, de quem tomou conta, assumindo o governo da casa e a sua educação.
Menos de seis meses depois da morte de seus pais, ia, como de costume, a caminho da Igreja, meditando e refletindo como os Apóstolos deixaram tudo, e seguiram o Salvador (Mt 4,20;19,27); como, segundo se refere no livro dos Atos (4,35-37), os fiéis vendiam o que tinham e o punham aos pés dos Apóstolos para distribuição entre os necessitados, e quão grande é a esperança prometida nos céus para os que assim fazem (Ef 1,18; Col 1,5). Pensando nestas coisas, entrou na Igreja. Aconteceu que nesse momento o Evangelho estava sendo lido e ele ouviu a passagem em que o Senhor disse ao jovem rico:
“Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá tudo aos pobres, depois vem, segue-Me e terás um tesouro no céu ” (Mt 19,21). Estas palavras atingem em cheio o coração do jovem. Como se Deus lhe tivesse proposto a lembrança dos Santos, e como se a leitura houvesse sido dirigida especialmente a ele, Antão saiu imediatamente da Igreja e deu a propriedade que tinha de seus antepassados: trezentas “aruras”, terra muito fértil e formosa. Não quis que nem ele nem sua irmã tivessem algo que ver com ela. Vendeu tudo o mais que possuía e entregou aos pobres a considerável soma recebida, deixando só um pouco para sua irmã. De novo, porém, entrando na Igreja, ouviu outra Palavra do Senhor no Evangelho:
“Não se preocupem com o amanhã” (Mt 6,34). Não suportou mais esperar e foi distribuir aos pobres também o pouco que guardara. Colocou sua irmã em um Convento conhecido e confiável, entregando-a às Monjas para que a educassem.

Inicia, a partir daí, uma vida de eremita. Primeiro se tranca em um castelo abandonado, não mantendo qualquer contato com o mundo. Ali, estavam só ele e Deus.Todavia, não é somente a Deus que ele encontra, mas também consigo mesmo. É então que sente o tumulto do seu interior e é confrontado com sua própria sombra e com o mal. As pessoas que passam diante do castelo ouvem lutas barulhentas. Trata-se de uma luta contra o mal que, antevendo a Glória futura deste grande santo, lança-se sobre ele com força. Ele resiste heroicamente, sempre apoiado em sua fé humilde e cegamente confiante. Quando as pessoas, preocupadas, arrombam o castelo, vem-lhes ao seu encontro um novo homem
"iniciado em profundo mistério e apaixonado por Deus". É assim que ele é caracterizado por Santo Atanásio, que escreveu sua biografia, contando os detalhes de suas provações, sofrimentos e milagres:
"Límpida era a constituição de sua alma. Ele nem se tornou carrancudo por meio do mau humor nem dava vazão à sua alegria, como também não precisou lutar com o riso e a timidez. Ao ver a multidão, não ficava perturbado e, quando tantas pessoas o saudavam, ele não se alegrava, mas ficava perfeitamente igual em si mesmo, como alguém que a razão governa e que se encontra em seu estado natural. O Senhor curou, por meio dele, muitos daqueles que estavam presentes ali e sofriam no corpo, e purificou outros tantos dos demônios. O Senhor dava a Antão uma graça através de suas palavras, de maneira que consolava muitos aflitos e reconciliava entre si muitos que estavam em conflito."A partir daí, Antão retira-se mais profundamente para o deserto, indo para uma montanha em Pispir e ficando lá em uma vida solitária por 20 anos. Amante da solidão, ali ele vivia fazendo longos jejuns, recolhidas orações e tecendo esteiras para não cair na ociosidade. Assim se defendia dos ataques do mal na imensa reclusão em que vivia. É este o ambíguo valor do deserto, lugar propício para o encontro com Deus, o vencimento das tentações e a consequente purificação do espírito. Antão é, assim, um magnífico exemplo para vencimento das tentações.

Pessoas que o admiravam e apoiavam, atiravam comida sobre a parede do forte, mantendo-o vivo, mas nunca viam sua face. O seu exemplo faz escola e, por volta do ano 300, é possível encontrar eremitas em todos os lugares no deserto, a maioria deles discípulos de Antão. Como a fama de sua santidade corria de boca em boca, muito rapidamente encontrou imitadores que queriam viver de perto aquela regra de vida e que foram construindo nas proximidades comunidades em cavernas ou cabanas. Eles pediam a Antão que saísse de sua reclusão para dirigir as suas preces e dar-lhes os seus conselhos e lições. Se reuniam, então, para celebrar juntos os Ofícios Divinos e, deste modo, combinavam o silêncio e a solidão com a vida comum. Antão fica com seus discípulos eremitas por 5 anos, regulamentando o trabalho comunitário, as orações e as penitências. Uma regra monástica datada daquela era é creditada como tendo os seus ideais, suas idéias e suas crenças. Escreveu várias cartas e sermões para jovens eremitas. Depois foi para um deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho. Um Mosteiro, chamado Diem Mar Antonios, foi erigido neste local. Só saiu daí para ir a Alexandria confortar os mártires das perseguições que estavam ocorrendo na época, para ajudar a seu amigo Santo Atanásio na luta contra a heresia ariana e quando foi visitar seu outro amigo, São Paulo de Tebas, chamado “o Ermitão”, que recebia meio pão por dia trazido por corvos para sua alimentação. Diz a tradição que quando Antão foi visitá-lo, os corvos trouxeram um pão inteiro.

São atribuídos a ele muitos e inúmeros milagres, os quais refutava sempre. Ficou conhecido como um homem muito santo, extremamente bondoso, generoso, corajoso, compreensivo, sábio, com bom senso, leal e sem nenhum excesso e ostentação. O Imperador Constantino, o Grande (323-337), era um dos milhares que o procuravam para ensinamentos e inspirações. É o Santo Taumaturgo que não somente é invocado em favor dos homens mas também dos animais que, ainda hoje, são abençoados no dia de Santo Antão em muitos lugares.
Carregado de méritos, muito famoso por seus inúmeros milagres e acompanhado do carinho e do amor das multidões, o Santo Abade subiu ao Céu em 17 de janeiro de 356, com 105 anos e foi enterrado em uma cova não marcada conforme seu pedido, mas em 561 suas relíquias foram descobertas e foi trasladado para Alexandria, Constantinopla. As relíquias de Santo Antão foram salvas dos Sarracenos em Constantinopla (agora Istambul, Turquia) em 635 e sua Festa é celebrada, no Oriente e Ocidente, no dia 17 de janeiro.
“Não negligenciemos chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à Ternura de Deus”.